História

SINCONFEC – Sindicato da Indústria de Confecção de Roupas em Geral do Estado do Espírito Santo

Criado em 30 de julho de 1963 porém reconhecido pelo Ministério do Trabalho em 1969, quando um grupo de empresários assumiu a instituição, após eleição realizada em 18 de setembro daquele ano.  Assim, Geraldo Fraga, Salem Von Randow e Edson de Oliveira Friques se tornaram, respectivamente, os primeiros presidente, secretário e tesoureiro do novo sindicato.

Natural de Aimorés, em Minas Gerais, o alfaiate Geraldo Fraga exercia a função desde 1940, quando tinha apenas 12 anos.  Em 1954, mudou-se para Vitória e estabeleceu sua alfaiataria na Rua Sete de Setembro, no Centro  da capital capixaba.  Antes de se tornar presidente do Sinconfec, no biênio 1969-1971, Fraga mantinha excelente relacionamento com indústrias têxteis do país e colegas de profissão no estado.  A fundação do sindicato reuniu 45 alfaiates da Grande Vitória.

O espírito de união da classe foi o grande motivador da criação do Sinconfec.  Juntos, os profissionais passaram a buscar atualização com relação a tendências mundiais em cores e insumos, além de se articularem para a definição de itens como preços, rentabilidade e piso salarial dos funcionários.  O sindicato também passou a mobilizar seus associados para a promoção de cursos de capacitação, visto que a princípio as próprias empresas eram responsáveis pela formação de sua mão de obra.

A alfaiataria costuma atender as demandas locais, feitas sob medida para os clientes.  O Sinconfec estimulava o alfaiate a buscar instrução e atualização, através da promoção de desfiles.  Na época, a economia brasileira ainda era bem fechada e o sindicato possibilitou a participação dos empresários em congressos e feiras mundiais, o que aos poucos foi levando a indústria local a buscar novos mercados consumidores, abrindo sua mente para a produção em série.  O Sinconfec marcou presença em diversos eventos, como em oito edições da Feira Nacional da Indústria Têxtil (FENIT), realizadas entre os anos de 1960 e 1974, o 12º World Congress of Master Tailors, em Viena, na Áustria, em 1966, e o 15º Congresso Mundial da Moda, em Londres, na Inglaterra, em 1973.

Foi assim que teve início uma prática comum no  Sinconfec de hoje: a realização de missões a feiras nacionais e internacionais.  O sindicato despertou em seus associados o interesse de entrar em contato coma moda mundial, principalmente a europeia, trazendo os lançamentos e tendências para o Espírito Santo.  “Com o sindicato, a informação trouxe a inspiração e isso influenciou o desenvolvimento dos produtos capixabas”, destaca Fraga.

Em agosto de 1979, a “Revista da Indústria Capixaba” publicou matéria sobre os pleitos da indústria de confecções do Espírito Santo.  Na ocasião, o então presidente do Sinconfec, Charles Jorge Rizk, destacou que a indústria capixaba do segmento carecia de “maior facilidade de créditos”.  No início daquele ano, as empresas ainda foram atingidas por enchentes que assolaram o município de Colatina, que concentrava o maior númeo de fábricas do ramo.  

Outro problema enfrentado à época foi a crise econômica.  Na ocasião, Rizk afirmou que “a indústria têxtil é a primeira a entrar na crise e a última a sair.  Nos momentos de depressão ou crise, quando o consumidor se vê obrigado a suprimir certos itens de consumo, o primeiro a ser lembrado é o vestuário, por ser efetivamente menos indispensável que a alimentação, saúde, moradia e outros artigos de consumo básico”, declarou ele naquele período.

Na edição de novembro de 1983, as dificuldades vividas pelo setor de confecções voltaram a ser assunto na revista.  O presidente do Sinconfec era o empresário José Braulio Bassini, que falou sobre a força da atividade no Espírito Santo, que sobrevivia mesmo sem apoio tecnológico e financeiro.  A reportagem elencava como problemas enfrentados: contingência fiscal, falta de recursos para capital de giro e de investimento para expansão, e até dificuldades de caráter legal, relacionadas ao pagamento das obrigações sociais.

Em junho de 1985, ainda como presidente do Sinconfec, Bassini foi novamente entrevistado pela “Revista da Indústria Capixaba”.  Naquela edição, ao ser questionado sobre a influência da inflação na atividade, ele afirmou que “os custos se elevam muito e não há correspondência na elevação do poder aquisitivo.  Vê-se então, os faturamentos crescerem igual a inflação, ou um pouco mais, no caso raro de algumas empresas, mas o número de peças produzidas está sempre diminuindo.  Isso cria um círculo vicioso, menor poder aquisitivo, menos produtos vendidos, mais desemprego”.

Se o Espírito Santo é um grande produtor e exportador de moda, com produtos de valor agregado e design reconhecido, é em virtude das conquistas obtidas pelas instituições que representam a atividade no estado.  Com o fortalecimento do Sinconfec e dos outros sindicatos do setor, além do apoio da Federação das Indústrias do Estado do Espírito Santo – FINDES, foi possível obter incentivos para continuar sendo um dos principais empregadores da indústria brasileira, composto majoritariamente por mão de obra feminina e de baixa escolaridade, contribuindo com a melhoria na renda das famílias.

“Diante da decadência do segmento do vestuário, em função da concorrência asiática mais expressiva a partir de 2002, o sindicato começou uma nova dinâmica e a primeira delas foi a de se qualificar para ser o representante de direito e de fato do setor junto às instituições, desde a Federação até o governo do Estado”, afirma a presidente do Sinconfec para o triênio 2015-2018, Clara Thaís Rezende Cardoso Orlandi.

Uma das principais ações desenvolvidas foi a mobilização da classe para participar do sindicato.  Foram realizadas visitas às empresas, identificando sua localização, produção e especialidades, sendo apresentados os serviços, benefícios e descontos oferecidos pela associação ao Sistema Findes.  A partir daí, foram detectadas as vocações da região da Grande Vitória, como moda masculina e fitness.  Dessa forma, o Sinconfec pôde agrupar os segmentos dentro do próprio setor e oferecer ferramentas de qualificação, atualização e modernização bem direcionadas.

Em seguida, foi apresentado ao governo um pleito de incentivos para aumentar a competitividade da indústria de confecções.  Desde 2008, o setor é um dos beneficiados pelo Contrato de Competitividade firmado com o governo do Estado, que concede redução do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), incentivando a qualidade na gestão, meio ambiente, inovação em design e tecnologia. Em 2012, a atividade foi contemplada com a atualização desses contratos, quando também ficou estabelecida a criação do Fundo do Vestuário, em que as empresas poderão usar parte dos recursos recolhidos para melhorar seu processo criativo, a marca e o fortalecimento comercial.

“A região não possui vocação para produzir em altíssima escala para grandes cadeias de lojas, mas para cada um desenvolver sua própria marca.  As indústrias estavam com dificuldades de atingir as metas porque precisam de um produto mais sofisticado, com design e estilo”, analisa Clara.

Assim nasceu o “Vitória Moda Show”, que a partir de 2013 passou a ser chamado de “Vitória Moda”.  Promovido pela Câmara Setorial da Indústria do Vestuário da Findes desde 2008, o evento é a principal ação para divulgação da qualidade dos produtos das empresas capixabas.

Para se manter num mercado num mercado em constante evolução como o da moda, é preciso estar atualizado com as tendências mundiais.  Por isso, o Sinconfec promove anualmente participações em eventos nacionais e internacionais.  É o caso da Première Vision, em São Paulo, e a Feira de Moda do Rio de Janeiro, além de visitas técnicas à Milano Moda Donna, em Milão, na Itália, e à London Fashion Week, em Londres, na Inglaterra.

Por meio de parcerias com instituições afins, como o Sindutex e o Sindicalçados, o Sinconfec promove na Grande Vitória o Programa de Qualificação de Fornecedores (PQF).  O objetivo é beneficiar toda a cadeia produtiva do vestuário, através do desenvolvimento e qualificação das empresas fornecedoras de bens e serviços para o setor.  

A capacitação da mão de obra continua sendo uma preocupação do Sinconfec.  Anualmente, são oferecidos cursos através do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) para aprimoramento dos funcionários das empresas e também para formar novos profissionais.

A consolidação do Centro de Referência da Indústria da Moda (CentroModa), em Vila Velha, é uma das metas do Sinconfec.  Trata-se de um complexo reunindo uma escola de formação profissional, focada em design, prestação de serviços, áreas de suporte às entidades representativas da cadeia de vestuário do Estado, espaço para eventos do setor, laboratórios e biblioteca.

“O CentroModa vai ser o local de referência para a moda capixaba, onde serão realizados cursos técnicos de produção, formação de designers, gerentes de produção, especialistas em cromoanálise (cores), além da formação dos profissionais que atuam em áreas como criação, branding e comercial”, conta Clara Thaís.

Ao analisar o futuro do setor, ela destaca que as empresas precisam se reposicionar num mercado que valoriza cada vez mais o conceito e o design estratégico.  O empresário precisa se reorganizar completamente, modernizando seu parque fabril, mantendo-se atualizado nas tendências mundiais, insumos e materiais.

“A roupa não serve apenas para cobrir o corpo.  Ela define sua personalidade.  Por isso, o setor precisa desenvolver a consciência de que os consumidores estão adquirindo conceitos, e não produtos.  O Sinconfec é uma ferramenta para alcançar esse objetivo, levando informações para o empresário e inserindo-o em um grupo que pensa o desenvolvimento de forma coletiva”, conclui Clara.